quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Cosmopolita

Acho que se pode dizer que Lisboa é uma cidade cosmopolita quando quem me conduz ao trabalho é de uma raça diferente da minha, quem me serve o almoço é de um continente diferente do meu, o meu jantar nem sequer fala a minha língua, o concerto que vou ver depois da sobremesa é de sons que não nascem nem crescem aqui e quem mais destoa da entourage sou eu, lisboeta de gema.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lisboetas à beira de um ataque de nervos

Começa a assustar-me a frequência com que as pessoas, nas ruas de Lisboa, oscilam entre a total indiferença perante a maior violência e injustiça que presenciem e a ira mais descontrolada quando por um qualquer menor 'trigger' lhes salta a tampa.

Basta andar nas ruas de Lisboa - será assim, em todas as cidades grandes? - para perceber que as pessoas não estão bem, que andam tensas, reprimidas, acumuladas, prontas a explodir, cheias de medo, frustradas, apáticas à força bruta das pauladas que sentem que a vida lhes dá.

Não é bom viver assim, nem é bom viver aqui e seria bom que alguém se preocupasse com isso e tratasse de providenciar meios para que os cidadãos possam ter qualidade de vida e proporcionar qualidade de vida uns aos outros, para que haja justiça e as pessoas sintam valer a pena ser justas, para que haja respeito pelos outros e pelas regras de convivência e as pessoas sintam que isso não só lhes facilita a vida como o contrário é punido e objectivamente lhes dificulta os passos.

Este é um problema de todos nós que partilhamos este espaço, a resolver enquanto os Lisboetas ainda estão à beira de um ataque de nervos com sintomas esporádicos, mas antes que ele ocorra com consequências que podem ser bem mais gravosas.

Pela minha parte, começo a estar verdadeiramente farta e pronta para me mudar para um sítio onde as pessoas sejam normais, pelo menos normais, no seu sentido de realcionamento e co-responsabilidade social, umas pelas outras e pelo que as rodeia, ao contrário das daqui.

Lisboa está doente, e com ela os lisboetas.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Outubro a Dezembro...

...deve ser a altura do ano mais desinteressante em Lisboa:
Para ir a concertos, à praia e aos parques está frio e chuvoso;
Os cinemas estão cheios de filmes natalícios;
Os centros comerciais e as lojas estão insuportáveis e os saldos nunca mais chegam;
As decorações luminosas banalizaram-se e já não é preciso ir à baixa;
O cansaço acumula-se, o trabalho multiplica-se, o trânsito anda parado;
E só apetece dormir até à inconsciência! Ou a Primavera.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Alguém sabe...

... onde é que em Lisboa se consegue comprar um suporte para livros, para ter os livros abertos em cima da mesa, mas numa posição quase vertical?
Estou farta de procurar e nada!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Lisboa: 9 km...

Se recordo correctamente, são 9 km.

9 km a distância marcada num marco quilométrico, velhinho, tão velhinho que já ninguém o vê no meio dos gases de escape dos carros e das pedras e calhaus dispersos aqui e ali.

Tão pouco marcante hoje, este marco, que a ninguém incomoda e ninguém o chateia.

Mas está lá, na Benfica antiga do séc XVIII, bem marcado para quem o quiser ver, se nisto não puder acreditar quem vive em Lisboa e em Benfica: "Lisboa: 9 km"...

Lisboadolescência

Lisboa também é história para quem é lisboeta, inevitavelmente. Tem sempre sabor de contínuo temporal, de regresso a casa.

Esta semana tive jantar com a turma da escola secundária. Já temos pelo menos o dobro da idade que tínhamos quando nos conhecemos e pela primeira vez apareceram mais professores que alunos. Todos tendemos a divergir, evoluir, mas não mudámos, aliás, há coisas que nunca mudam.

A Prof. Manuela continua observadora atenta e discreta, a Prof. Luísa conversa hoje como ontem como quem goza uma tertúlia, a Prof. Honorina mantém intacto o seu afecto semi-sacudido, a Prof. Mª José ainda veste o espírito do lado de fora do corpo e ao Prof. Rui eu continuo sem conseguir dizer, oralmente, aquilo que me apetece transmitir e para o que só escrevendo encontro as palavras que penso que não me trairão.

Por isso aqui vai, por escrito, para o Prof. Rui: não sei se tem ou teve talento para a música, mas tenho a certeza que teve e tem um talento enorme para ensinar, nomeadamente no que ensinar tem de formar, tocar, agitar e acolher, muito mais que informar. Pela minha parte, estou muito contente por ter dado largas ao dom de ser Professor, e o ter generosamente distribuído, também por mim.

E a todos estes Prof. o meu muito obrigada: porque estiveram lá com uma humanidade gritante e continuam a estar, espantosamente, contrariando probabilidades, preguiça e esquecimento.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Normalisboa

É oficial: acabaram as férias, começaram as aulas, Lisboa volta ao normal. Quase que aposto que daqui até ao Natal o trânsito é sempre a piorar, a maioria das pessoas vai apanhar uma gripe, a luz do verão é substituída pelas luzes decorativas e por último, mas não menos importante, as carrinhas dos gelados, daqui a uma semana ou duas, dependendo do tempo, serão substituídas pelas das castanhas assadas!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Contribuição autárquica

Hoje há uma capa de jornal que compara, salvo erro, as contribuições dos munícipes Lisboetas com os Portuenses para as suas Câmaras, pagando os primeiros quase mais 130€ - presumo que por ano - que os segundos.

Tendo já vivido em ambas as cidades, sabendo de experiência própria que a qualidade de vida no Porto é maior, que maior em Lisboa são fundamentalmente o custo de vida, a poluição e o número de carros a empacotar ruas, passeios e estacionamentos, pergunto:

AFINAL AONDE É QUE ESTÃO OS MEUS 130€ A MAIS DE QUALIDADE DE VIDA PAGOS À CÂMARA?!...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

O formigueiro

As formiguitas voltaram ao formigueiro ainda com o ritmo de buzinadelas e impropérios desacelerado pelas férias, mas é coisa p'ra durar uma semana, se tanto. Afinal, já tudo parece ter regressado ao normal, e o normal está cheio de gente por todos os lados.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Aproximação

Deve ser nesta altura do ano que Lisboa mais se aproxima da paisagem do resto do país: em Agosto, tudo anda a meio gás e só funciona de vez em quando, de preferência quando a pessoa certa voltar de férias.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Ai, meu lindo Agosto!...

Sim senhor!, até dá gosto
estar por Lisboa em Agosto:
sair de casa às nove e um quarto
e chegar ao trabalho sem estar já farto;
sair à uma p'ra almoçar
e não ter de esperar;
não há nada que seja urgente
nem telefones a chamar a gente;
só a temperatura é demasiado alta
mas a praia anima a malta;
ou seja: é mesmo um gosto
andar por Lisboa em Agosto...


segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Apelo

Não podiam ser, de facto, mais fúnebres os cemitérios portugueses. Abandonado o abrigo da terra que ainda pode, com uma certa imaginação, parecer leve, abraçou-se o peso da perda irreversível em forma de lajes maciças em mármore ou calcário, brancas desoladas e áridas como a tristeza.

Abaixo os cemitérios latinos, vivam os cemitérios-jardim nórdicos! E ao menos no Alto de S. João, onde a vista privilegiada sobre o rio faz conciliar a paz dos mortos com a serenidade dos vivos, por favor não esquartejem o pouco de reconciliador que ali pode haver em tiras e interstícios entre mausoléus...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Morna

Há dias em que a temperatura acaricia a pele sem morder, a luminosidade irradia das paredes, do chão, do céu azul e a brisa dilui os cheiros maus e traz o da relva molhada pelos aspersores e Lisboa parece encantadora como uma menina fresca e sorridente.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Monsanto

Monsanto tem de tudo: de putas a ciclistas, de prisões a parques infantis, de restaurantes a canis-gatis, de vivendas a bairros sociais, de estradas cheias de tráfego e poluição a floresta com pássaros e raposas. Monsanto é um intervalo fechado, com uma infinidade de valores dentro dos seus limites, incluindo um horizonte ilimitado para quem olha para e por cima do Tejo, rumo ao sul.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

E do caos se fez serenidade... ou apatia?

É tão constante e intensa a pressão externa em Lisboa, a que vem das pessoas, do trânsito, do ruído, da poluição, do custo de vida, do cansaço generalizado a que se assiste e em que se vive, que estranhamente a única maneira de o suportar é criar um secreto e íntimo pilar de paz interior que poucas coisas, cada vez menos, conseguem impressionar ou aceder.

Às vezes é difícil saber se esse pilar é feito de paz ou de apatia, mas enquanto o sentir branco em vez de cinzento, gosto de pensar que é paz.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Lisboa ainda será Lisboa?!?

Chuva dia-sim-dia-não em Julho?!? E não é porque esteja um calor de ananáses?!? Ou será que o Aquecimento Global anda solidário com os lisboetas - que devem andar todos tesos porque nunca mais os vejo ir de férias e deixar as ruas e os lugares de estacionamento para mim - e já que a malta tem que ficar por casa mesmo, Julho aproveita e chove?...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Saldos

Ontem ia a passar por uma loja de vão de escada, tapada por andaimes que acidentalmente tive que atravessar - verão em Lisboa já se sabe, obras e pó e máquinas barulhentas por todo o lado... - quando na montra vi finalmente um fato, normalíssimo, mas que cumpria com os requisitos mínimos para ir trabalhar. Os saldos até 50% e o aspecto da loja animaram-me a perspectiva de um negócio justo e entrei. Com desconto de 30%, ficava por quase €200. Desculpe?!?...

Concluí que sai mais barato ir passar um fim-de-semana ao Porto e tratar logo das compras do ano, mesmo incluindo as despesas de transporte.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Jazz em Agosto na Gulbenkian

Carito, mas quem consome por gosto não fica mais pobre... (?)
http://www.musica.gulbenkian.pt/jazz/

Presidência da Câmara

Estranhamente, a ausência de interesse pela democracia, a desconfiança da política, a preguiça e o individualismo dos lisboetas, resultaram acidentalmente num acréscimo de democracia na distribuição das vereações da CML o fim-de-semana passado! Vá-se lá perceber...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Fim-de-semana

Como será possível que quem trabalha em Lisboa sem nela viver acaba, muitas vezes, por passar mais tempo realmente em Lisboa ao fim-de-semana que nos dias úteis? Parece que também nisto, à semelhança do resto na vida, se passam e atravessam os sítios, as pessoas e as coisas 5 dias por semana dedicados ao salário, e se olha e vive e sentem os sítios, as pessoas e as coisas durante os dois dias que restam, dedicados ao consumo...

quinta-feira, 12 de julho de 2007

terça-feira, 10 de julho de 2007

"Dependendo de como tiveres o coração, assim verás as coisas, assim te afectarão o/a(s) demais." E as cidades também. Aliás, em meio urbano este conceito parece clarinho como água.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Inesperado

Hoje, apesar de rodeada de colegas de trabalho, dei por mim no meio de uma conversa sobre o mundo, a sociedade, o ideal e o real, como se por estarmos todos fora do meio ambiente diário e juntos por tão pouco tempo houvesse mais espaço para sermos nós próprios. Porque será que as pessoas optam por, no seu estado mais normal, não serem normalmente elas próprias?

sexta-feira, 6 de julho de 2007

-Yaaaawn!...-

Quando o sol está quase, quase para nascer e vai rebentando do chão dos prédios, invadindo lentamente a cidade; quando os cães passeiam os seus ensonados donos e os pássaros se sobrepõem ao silêncio; quando as pessoas passeiam nos passeios e nas estradas do centro em vez de estarem atrasadas para ir a algum lado;
então Lisboa parece só mais uma aldeia em algum sítio vagaroso e calmo, apenas com ruas mais largas que a maioria das aldeias.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Em trânsito

Em Lisboa dá vontade de andar ao estaladão e ao pontapé com todas as pessoas impessoais com quem nos cruzamos sempre que é preciso dizer, fazer ou intervir alguma coisa, e todas as pessoas metediças e invejosas que só se metem na vida alheia por 'voyeurismo'.

Em Lisboa alivia insultar condutores, peões e transeuntes de todos os palavrões mais intensos que enchem a boca e saltam p'rá arena quando não se pode nem deve andar ao estaladão e pontapé.

Lisboa é uma cidade em trânsito.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Chiado

No Chiado ainda há lojas com tectos pintados e lustres e reboco. Ainda há lojas com empregados fardados e cheiros inebriantes só de chás e cafés. Ainda há livrarias que dão vontade de devorar livros e fachadas que vale a pena ficar a olhar. Há pátios que fazem pensar 'seria a minha vida melhor se eu vivesse aqui?' e padarias com fila à porta.
Aqui e ali, entre as lojas de franchising e o comércio europeu que portugueses e turistas engolem com a ansiedade com que se come um Big Mac, ainda há Chiado, pelo menos nos interstícios.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Em Lisboa

Museu da electricidade merece uma visita! Tem restaurante, museu, relva, exposições e ainda os tubos e máquinas, azulejos e tijolos industriais, lavadinhos e arranjados como se sempre tivessem sido assim, bonitos.

Também lá tem agora uma peça: Triplo Salto. Sempre de louvar os esforços do teatro académico. Entretém sem espantar ou encher as medidas.

Aproveitem mas é estes dias para demorar junto ao Tejo até que o sol se ponha e a lua cheia faça a Trafaria parecer uma parte coerente do todo que inclui as luzinhas da ponte e o Cristo-Rei...