quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Lisboadolescência

Lisboa também é história para quem é lisboeta, inevitavelmente. Tem sempre sabor de contínuo temporal, de regresso a casa.

Esta semana tive jantar com a turma da escola secundária. Já temos pelo menos o dobro da idade que tínhamos quando nos conhecemos e pela primeira vez apareceram mais professores que alunos. Todos tendemos a divergir, evoluir, mas não mudámos, aliás, há coisas que nunca mudam.

A Prof. Manuela continua observadora atenta e discreta, a Prof. Luísa conversa hoje como ontem como quem goza uma tertúlia, a Prof. Honorina mantém intacto o seu afecto semi-sacudido, a Prof. Mª José ainda veste o espírito do lado de fora do corpo e ao Prof. Rui eu continuo sem conseguir dizer, oralmente, aquilo que me apetece transmitir e para o que só escrevendo encontro as palavras que penso que não me trairão.

Por isso aqui vai, por escrito, para o Prof. Rui: não sei se tem ou teve talento para a música, mas tenho a certeza que teve e tem um talento enorme para ensinar, nomeadamente no que ensinar tem de formar, tocar, agitar e acolher, muito mais que informar. Pela minha parte, estou muito contente por ter dado largas ao dom de ser Professor, e o ter generosamente distribuído, também por mim.

E a todos estes Prof. o meu muito obrigada: porque estiveram lá com uma humanidade gritante e continuam a estar, espantosamente, contrariando probabilidades, preguiça e esquecimento.