terça-feira, 31 de julho de 2007
Monsanto
Monsanto tem de tudo: de putas a ciclistas, de prisões a parques infantis, de restaurantes a canis-gatis, de vivendas a bairros sociais, de estradas cheias de tráfego e poluição a floresta com pássaros e raposas. Monsanto é um intervalo fechado, com uma infinidade de valores dentro dos seus limites, incluindo um horizonte ilimitado para quem olha para e por cima do Tejo, rumo ao sul.
segunda-feira, 30 de julho de 2007
E do caos se fez serenidade... ou apatia?
É tão constante e intensa a pressão externa em Lisboa, a que vem das pessoas, do trânsito, do ruído, da poluição, do custo de vida, do cansaço generalizado a que se assiste e em que se vive, que estranhamente a única maneira de o suportar é criar um secreto e íntimo pilar de paz interior que poucas coisas, cada vez menos, conseguem impressionar ou aceder.
Às vezes é difícil saber se esse pilar é feito de paz ou de apatia, mas enquanto o sentir branco em vez de cinzento, gosto de pensar que é paz.
Às vezes é difícil saber se esse pilar é feito de paz ou de apatia, mas enquanto o sentir branco em vez de cinzento, gosto de pensar que é paz.
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Lisboa ainda será Lisboa?!?
Chuva dia-sim-dia-não em Julho?!? E não é porque esteja um calor de ananáses?!? Ou será que o Aquecimento Global anda solidário com os lisboetas - que devem andar todos tesos porque nunca mais os vejo ir de férias e deixar as ruas e os lugares de estacionamento para mim - e já que a malta tem que ficar por casa mesmo, Julho aproveita e chove?...
sexta-feira, 20 de julho de 2007
Saldos
Ontem ia a passar por uma loja de vão de escada, tapada por andaimes que acidentalmente tive que atravessar - verão em Lisboa já se sabe, obras e pó e máquinas barulhentas por todo o lado... - quando na montra vi finalmente um fato, normalíssimo, mas que cumpria com os requisitos mínimos para ir trabalhar. Os saldos até 50% e o aspecto da loja animaram-me a perspectiva de um negócio justo e entrei. Com desconto de 30%, ficava por quase €200. Desculpe?!?...
Concluí que sai mais barato ir passar um fim-de-semana ao Porto e tratar logo das compras do ano, mesmo incluindo as despesas de transporte.
Concluí que sai mais barato ir passar um fim-de-semana ao Porto e tratar logo das compras do ano, mesmo incluindo as despesas de transporte.
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Presidência da Câmara
Estranhamente, a ausência de interesse pela democracia, a desconfiança da política, a preguiça e o individualismo dos lisboetas, resultaram acidentalmente num acréscimo de democracia na distribuição das vereações da CML o fim-de-semana passado! Vá-se lá perceber...
sexta-feira, 13 de julho de 2007
Fim-de-semana
Como será possível que quem trabalha em Lisboa sem nela viver acaba, muitas vezes, por passar mais tempo realmente em Lisboa ao fim-de-semana que nos dias úteis? Parece que também nisto, à semelhança do resto na vida, se passam e atravessam os sítios, as pessoas e as coisas 5 dias por semana dedicados ao salário, e se olha e vive e sentem os sítios, as pessoas e as coisas durante os dois dias que restam, dedicados ao consumo...
quinta-feira, 12 de julho de 2007
terça-feira, 10 de julho de 2007
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Inesperado
Hoje, apesar de rodeada de colegas de trabalho, dei por mim no meio de uma conversa sobre o mundo, a sociedade, o ideal e o real, como se por estarmos todos fora do meio ambiente diário e juntos por tão pouco tempo houvesse mais espaço para sermos nós próprios. Porque será que as pessoas optam por, no seu estado mais normal, não serem normalmente elas próprias?
sexta-feira, 6 de julho de 2007
-Yaaaawn!...-
Quando o sol está quase, quase para nascer e vai rebentando do chão dos prédios, invadindo lentamente a cidade; quando os cães passeiam os seus ensonados donos e os pássaros se sobrepõem ao silêncio; quando as pessoas passeiam nos passeios e nas estradas do centro em vez de estarem atrasadas para ir a algum lado;
então Lisboa parece só mais uma aldeia em algum sítio vagaroso e calmo, apenas com ruas mais largas que a maioria das aldeias.
então Lisboa parece só mais uma aldeia em algum sítio vagaroso e calmo, apenas com ruas mais largas que a maioria das aldeias.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Em trânsito
Em Lisboa dá vontade de andar ao estaladão e ao pontapé com todas as pessoas impessoais com quem nos cruzamos sempre que é preciso dizer, fazer ou intervir alguma coisa, e todas as pessoas metediças e invejosas que só se metem na vida alheia por 'voyeurismo'.
Em Lisboa alivia insultar condutores, peões e transeuntes de todos os palavrões mais intensos que enchem a boca e saltam p'rá arena quando não se pode nem deve andar ao estaladão e pontapé.
Lisboa é uma cidade em trânsito.
Em Lisboa alivia insultar condutores, peões e transeuntes de todos os palavrões mais intensos que enchem a boca e saltam p'rá arena quando não se pode nem deve andar ao estaladão e pontapé.
Lisboa é uma cidade em trânsito.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Chiado
No Chiado ainda há lojas com tectos pintados e lustres e reboco. Ainda há lojas com empregados fardados e cheiros inebriantes só de chás e cafés. Ainda há livrarias que dão vontade de devorar livros e fachadas que vale a pena ficar a olhar. Há pátios que fazem pensar 'seria a minha vida melhor se eu vivesse aqui?' e padarias com fila à porta.
Aqui e ali, entre as lojas de franchising e o comércio europeu que portugueses e turistas engolem com a ansiedade com que se come um Big Mac, ainda há Chiado, pelo menos nos interstícios.
Aqui e ali, entre as lojas de franchising e o comércio europeu que portugueses e turistas engolem com a ansiedade com que se come um Big Mac, ainda há Chiado, pelo menos nos interstícios.
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