segunda-feira, 28 de julho de 2008

Requiem a este blog

Finou-se, de morte natural, enquanto dormia - como seria agradável que pudéssemos ir todos assim também, calmamente, discretamente, na altura em que pelo esvaziar de objectivos e conteúdo deixa de fazer sentido existirmos...

Não gosto das existências etéreas de blogues finados na realidade virtual, mas a pedido da Bloguista Silenciosa e porque do que já foi sabe bem às vezes visitar o álbum de fotografias escondido no fundo da gaveta, este ficará a pairar por aqui, a provar que Ela existe, a guardar a imagem de um regresso intencional, penoso e ultrapassado.

Até sempre, Lisboa!

terça-feira, 4 de março de 2008

Religiboa

A religiosidade inerente a professar uma fé parece coisa apropriada à serenidade de um mosteiro bucólico ou de um eremitério, que facilitem e propiciem a procura de Deus. Esta busca encontra obstáculos, vários e cumulativos, no bulício do trânsito, nos gases de escape, nos muitos chefes e colegas, nas montras, nos anúncios, no ruído, enfim, em todas as muitas e diversas solicitações tipicamente urbanas que nos chamam para tudo o que existe de mais longe da introspecção e da conversa com Quem mora dentro.

Nenhum lisboeta se surpreende com as notícias de que as igrejas se esvaziam e a Igreja tradicional tem cada vez menos e mais envelhecidos crentes, pois a maioria dos lisboetas nem sequer se apercebe do desparrame de igrejas de todos os tipos que existem nesta cidade, à porta de muitas das quais passarão todos os dias milhares de pessoas sem sequer reparar nelas, nem perceber que, muitas vezes, se encontram abertas. Surpreendente para um lisboeta é encontrar as fiéis resistentes nas igrejas do interior, fiel aqui sendo palavra duplamente adequada, que para quem não entende a fé dos Homens, aquela fidelidade das mulheres do interior parece visivelmente assemelhar-se à canina.

Eu, lisboeta, crente, hoje me surpreendi, dei-me ao direito de me surpreender, mesmo no meio de Lisboa no auge do seu bulício. Entrei numa igreja à porta da qual passo todos os dias. A porta estava aberta, numa normal hora de almoço. A igreja não estava vazia e lá dentro várias pessoas rezavam, homens e mulheres de diferentes idades, nem um velho, nem uma velha, cada um sozinho, buscando o recolhimento e a paz e a conversa com Alguém que ouve mais e fala menos.

Então afinal é também isto que fazem durante a hora de almoço aqueles lisboetas que não fazem compras, nem ginástica, nem vão ao médico, ou à repartição, ou almoçar com os amigos, ou outra coisa qualquer...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Hoje apetece-me ter 7 anos

Porque é que às primeiras chuvas há logo lençóis de água nas estradas em Lisboa?
Porque é que às primeiras chuvadas várias estradas se cortam?
Porque é que quando chove mesmo a sério, numa cidade que sempre foi junto ao rio, as inundações sempre nos mesmos locais provocam o caos?
Porque é que não se planeia a cidade, não se mantêm as sarjetas e esgotos, não se criam alternativas para fazer chegar as pessoas ao trabalho, não se descentralizam as pessoas, os seus carros e os seus empregos, para outras zonas do país menos atreitas a todo tipo de catástrofes naturais, das inundações aos sismos passando por eventuais tsunamis subsequentes?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Ser feliz depende de...

... uma série de coisas, dâ-â! Dependerá do espaço que nos rodeia, do afecto que nos segura, dos recursos que temos ou nos faltam, de como olham para nós todas aquelas pessoas anónimas de cujo respeito e misericórdia ainda assim tantas vezes precisamos e, claro, depende de nós.

E porque hoje é um bom dia para a minha felicidade depender de mim, declaro que apesar do cócó de cão nos passeios, de quase ser atropelada nas passadeiras, de ser insultada por condutores e empurrada por transeuntes, de ser invejada por colegas e usada por colegas e chefes, de ter de pagar os piores e mais duros bifes e bitoques do país ao preço mais caro excluindo Allgarve durante o Summer, de ter de respirar o ar mais poluído de Portugal e sentir os meus pulmõezinhos a encolherem-se todos de medo, declaro ainda assim: Lisboa, hoje sou feliz porque quero!

(Uma boa sequência seria: "OK?!, por isso é melhor não te meteres à minha frente..." - mas será que felicidade e agressividade podem rimar?)