terça-feira, 30 de outubro de 2007

Lisboetas à beira de um ataque de nervos

Começa a assustar-me a frequência com que as pessoas, nas ruas de Lisboa, oscilam entre a total indiferença perante a maior violência e injustiça que presenciem e a ira mais descontrolada quando por um qualquer menor 'trigger' lhes salta a tampa.

Basta andar nas ruas de Lisboa - será assim, em todas as cidades grandes? - para perceber que as pessoas não estão bem, que andam tensas, reprimidas, acumuladas, prontas a explodir, cheias de medo, frustradas, apáticas à força bruta das pauladas que sentem que a vida lhes dá.

Não é bom viver assim, nem é bom viver aqui e seria bom que alguém se preocupasse com isso e tratasse de providenciar meios para que os cidadãos possam ter qualidade de vida e proporcionar qualidade de vida uns aos outros, para que haja justiça e as pessoas sintam valer a pena ser justas, para que haja respeito pelos outros e pelas regras de convivência e as pessoas sintam que isso não só lhes facilita a vida como o contrário é punido e objectivamente lhes dificulta os passos.

Este é um problema de todos nós que partilhamos este espaço, a resolver enquanto os Lisboetas ainda estão à beira de um ataque de nervos com sintomas esporádicos, mas antes que ele ocorra com consequências que podem ser bem mais gravosas.

Pela minha parte, começo a estar verdadeiramente farta e pronta para me mudar para um sítio onde as pessoas sejam normais, pelo menos normais, no seu sentido de realcionamento e co-responsabilidade social, umas pelas outras e pelo que as rodeia, ao contrário das daqui.

Lisboa está doente, e com ela os lisboetas.